quarta-feira, 26 de novembro de 2014

BIOGRAFIA PAULO LEIVAS MACALÃO COMPOSITOR

              
                         Biografia Pastor Paulo Leivas Macalão 
O Pastor Paulo Leivas Macalão teve papel destacado no Movimento Pentecostal no Brasil e foi um dos responsáveis pelo crescimento da Assembléia de Deus, fundou o Convenção Nacional das Assembléias de Deus no Brasil - Ministério de Madureira -CONAMAD . Por muitos anos, o pastor Paulo Leivas Macalão também foi conselheiro da Sociedade Bíblica Brasileira, Conselheiro da CPAD - Casa Publicadora das Assembléias de Deus.

Paulo Leivas Macalão
Pastor (RJ) (In memoriam - 1903 a 1982]
: Liderança
- Foi Presidente da AD - Ministério Madureira (RJ).
- Foi conselheiro da Sociedade Bíblica do Brasil, conselheiro vitalício da CPAD e presidente do Instituto Bíblico Ebenézer, da Convenção Nacional de Obreiros de Madureira e do Conselho Fiscal da Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil.
- Foi também membro do Comité Internacional Pentecostal, chegando a representar o Brasil na Conferência Mundial Pentecostal realizada em Dálias, Texas, quando pregou a Palavra de Deus.
- Presidente da Mesa diretora da Convenção da CGADB em 1937.
: Pessoal
- Nascimento: 17 de Setembro de 1903.
- Natural: Livramento (RS)
- Pais: General João Maria Macalão e Joaquina Jorgina Leivas.
- Esposa: Zélia Brito (casou-se em 17 de Janeiro de 1934]
- Filho: Paulo Brito Leivas Macalão.
- Falecimento: 26 de Agosto de 1982.
: Formação
- Recebeu educação evangélica. Recebeu os primeiros ensinamentos no Colégio Batista do Rio de Janeiro, então Distrito Federal.
- Completou seu curso colegial no Colégio D. Pedro II, a mais tradicional escola carioca.
- Era desejo de sua família que seguisse carreira militar, e ele concordava. Seu sonho era entrar no Colégio Militar de Realengo para seguir carreira.

: Ministério
- Em 5 de Abril de 1924, entregou sua vida a Cristo.
- Em 3 de Novembro do mesmo ano, foi batizado nas águas.
- Por essa razão, deixou de lado a carreira militar e dedicou-se à tarefa de pregar o Evangelho. Sua família, depois de relutar muito, cedeu ao desejo do filho, deixando de pressioná-lo para que abandonasse seu intento.
- Paulo começou sua campanha de evangelização nos subúrbios do Rio considerados na época zona rural da cidade.
- Evangelizou com ardor em Realengo, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Marechal Hermes, bem como nas cidades de Petrópolis e Niterói. Várias congregações foram abertas nos lugares onde passou.
- Em 17 de agosto de 1930, missionário Gunnar Vingren, então líder da Assembléia de Deus no Rio de janeiro, aproveitando a visita do pastor Lewi Pethrus ao Brasil, consagrou Paulo Leivas Macalão ao santo ministério.
- Bangu foi a localidade escolhida para iniciar suas atividades como ministro. Ali, construiu o primeiro templo da Assembléia de Deus na cidade do Rio de Janeiro. Esta igreja ficava na Rua Ribeiro de Andrade, 65, lugar onde foi celebrado seu casamento com Zélia Brito
- O casal só teve um filho, Paulo Brito Leivas Macalão, que haveria de se tornar missionário posteriormente.
- Mais tarde, o trabalho em Bangu foi transferido para Madureira, bairro em que se estabeleceu a sede dos trabalhos abertos pelo pastor Paulo.
- De lá, a igreja expandiu-se para outros estados, como Minas Gerias, Paraná, Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Espírito Santo e Brasília.
- Ao falecer, em 26 de agosto de 1982, deixou o ministério da AD de Madureira com cerca de 200 pastores, 500 evangelistas, 2 mil presbíteros, 5 mil diáconos, 4 mil auxiliares, 6 mil músicos, 600 igrejas, mil congregações, 3 mil pontos de pregação e um total de membros e congregados de 500 mil. 
: Realização
- Compositor com o maior número de hinos no hinário Harpa Cristã.
- Construiu o primeiro templo da Assembléia de Deus na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
: Homenagem
- Recebeu o título de cidadão do antigo Estado da Guanabara.
: Autoria
- Corrigiu e ampliou a Harpa Cristã.
- Autor de maior quantidade de hinos na Harpa Cristã.
: Fonte
- Encarte Especial da revista Obreiro, ano 23, no 13 - CPAD 
Nasceu na cidade de Livramento, RS, a 17 de setembro de 1903. Filho do general João Maria Macalão e de D. Joaquina Jorgina Leivas Macalão. Recebeu sua educação inicial no Colégio Batista, no então Distrito Federal, e completou seu curso colegial no Colégio D. Pedro II. Era desejo de sua família que seguisse a carreira militar, e ele concordava, pois estava resolvido a entrar mesmo no Colégio Militar de Realengo, para seguir a carreira de seu pai. O curso de sua vida, no entanto, estava sendo orientado por Deus, Converteu-se em 5 de abril de 1924, sendo batizado a 3 de novembro do mesmo ano. Por essa razão, deixou de lado a carreira militar e dedicou-se à tarefa de expressar o seu amor à causa evangélica, seguindo o glorioso ideal de ganhar almas para o reino de Deus. 
Não foi fácil para o jovem Paulo seguir os passos iniciais de sua nova carreira, porque encontrou os primeiros obstáculos entre os seus. Sua família, sentindo que este era o seu destino e que esta era a vontade de Deus, cedeu diante da fé inabalável do jovem crente. 
Paulo Macalão começou sua campanha de evangelização nos subúrbios da zona rural, passando por Realengo, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Marechal Hermes, bem como nos arredores do Estado do Rio de Janeiro, como Petrópolis e Niterói. 
Os resultados não demoraram a chegar: um número de congregações foi estabelecido com o fim de salvar aqueles que estavam sem esperança, jazendo na incredulidade, levando-os à segurança da fé.
A 17 de agosto de 1930, o missionário Gunnar Vingren, que era o pastor da igreja no Rio de Janeiro, aproveitando a visita ao nosso país do missionário Lewi Pethrus, da Suécia, consagrou Paulo Leivas Macalão ao ministério da Palavra de Deus. 
Bangu foi a localidade escolhida para seu trabalho evangelístico e para a construção do primeiro templo das Assembléias de Deus no Distrito Federal. Esta igreja ficava na rua Ribeiro de Andrade, 65, onde a 17 de janeiro de 1934, casou-se com Zéliz Brito, nascendo-lhe o único filho, Paulo Brito Leivas Macalão, hoje pastor em Caldas Novas, GO. Mas tarde o trabalho foi transferido para Madureira, bairro em que se estabeleceu a sede da igreja. De lá, espalhou-se para outros Estados, como Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, São Paulo, Espírito Santo e, também, Brasília, quando do início da nova Capital Federal. 
Por muitos anos, o pastor Macalão foi conselheiro da Sociedade Bíblica do Brasil, e Conselheiro Vitalício da CPAD. Foi presidente do Instituto Bíblico Ebenézer; da Convenção Nacional dos Obreiros de Madureira, e do Conselho Fiscal da Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil. 
Ainda por longo tempo, foi membro do Comitê Internacional que planeja as Conferências Mundiais Pentecostais, em Dallas, Texas, representando o Brasil, quando teve ocasião de fazer vibrante pregação.
Visitou igrejas na Inglaterra e na Suécia, inclusive a Igreja Filadélfia em Estocolmo. Em Springfield, Missouri, quando da sua visita oficial à Sede Central das Assembléias de Deus na América do Norte, foi ali diplomado.
Recebeu também o título de cidadão do antigo Estado da Guanabara.
Corrigiu e ampliou a Harpa Cristã em sua última edição. 
Passou a estar com o Senhor no dia 26 de agosto de 1982, aos 79 anos de idade.

Não é possível avaliar o trabalho desenvolvimento pela AD em Madureira, que cresce a cada momento em todo o Brasil, mas uma estatística aproximada apontaria cerca de 2500 pastores, 5000 evangelistas, 8000 presbíteros, 11000 diáconos, mais de 3500 igrejas, mais de 3000 congregações, com um total de aproximadamente 3.500.000 membros.

FONTE www.ad-madureirascc.blogspot.com

terça-feira, 25 de novembro de 2014

HISTORIA DA HARPA CRISTÃ


Os primeiros hinos cantados nas Assembleias de Deus.

                         INTRODUÇÃO
A música pentecostal, no início do movimento no Brasil, se dividia em música importada e em composições brasileiras. Em seus primórdios, as Assembleias de Deus cantavam os tradicionais hinos formais protestantes do hinário da Igreja Congregacional, Salmos e Hinos, para o seu cântico congregacional, que também eram utilizados por diversas igrejas evangélicas históricas. O hinário Salmos e Hinos havia sido publicado em 1861 pelos missionários congregacionais Robert e Sara Poulton Kalley.


Hinário oficial das Assembleias de Deus no Brasil, a Harpa Cristã completa em 2012 noventa anos de existência. A primeira edição foi lançada em 1922, na AD em Recife (PE), com hinos para culto público, Santa Ceia, batismo, casamento, apresentação de crianças funeral, entre outros.

No início, a Assembleia de Deus utilizava o hinário Salmos e Hinos, que também era usado por outras igrejas evangélicas históricas. Em 1921, os pioneiros decidiram criar um hinário destacando também as doutrinas pentecostais da denominação. Foi criado, então, o Cantor Pentecostal, sob a orientação editorial de Almeida Sobrinho, com 44 hinos e dez corinhos, impressos pela tipografia Guajarina.
A primeira edição da Harpa Cristã, em 1922, teve uma tiragem inicial de mil exemplares. A segunda edição, em 1923, foi impressa no Rio de Janeiro e tinha 300 hinos. Já em 1932, a Harpa Cristã contava com 400 hinos.

A primeira Harpa Cristã com letra e música começou a ser elaborada em 1937. Com o passar dos anos, foram acrescentados outros hinos até que o hinário oficial chegou a 524. Até o ano de 1981, todos os hinos já haviam sido revisados.

Em 1979, o Conselho Administrativo da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD), cumprindo resolução da Assembleia Geral da CGADB, nomeou uma comissão para proceder a revisão geral da música e letra dos hinos da Harpa Cristã. A proposta foi apresentada pelo pastor Adilson Soares da Fonseca. As análises tiveram o apoio técnico e especializado de João Pereira, na correção e adaptação da música; e Gustavo Kessler, na revisão das letras.

Hinos cantados e amados em todo o país

A Harpa Cristã tem sido o instrumento de consolidação nacional da hinologia pentecostal, principalmente por meio do cântico congregacional. Um dos motivos que contribuiu para isso foi o fato de cada crente assembleiano ter que possuir o seu próprio exemplar do hinário e levá-lo para a igreja, diferentemente das igrejas das denominações tradicionais no Brasil, América do Norte e Europa, onde são os templos que possuem exemplares dos seus hinários disponíveis para os fiéis usarem em seus cultos.



Após 90 anos de existência, muitos dos belos e edificantes hinos da Harpa Cristã, ultrapassam as fronteiras assembleianas, tocando os corações de milhares de crentes de outras denominações evangélicas brasileiras, alcançando o honrado posto de hinário mais conhecido e amado em todo o país.

             Os primeiros compositores assembleianos
Mas havia a necessidade de hinos que enfocassem as verdades pentecostais e refletissem o fervor pentecostal. Começam, então, a surgir compositores e tradutores pentecostais: José Rodrigues, Maria Antônia Nobre, Sylvio Brito, Frida Vingren, Almeida Sobrinho, Adriano Nobre de Almeida, Manoel Hygino de Souza, Paulo Leivas Macalão, Gunnar Vingren, Antonio Torres Galvão, Samuel Nyström, Emílio Conde e muitos outros. São também traduzidos hinos de hinários suecos e americanos pentecostais pelos missionários Gunnar Vingren, Samuel Nyström, Frida Vingren, Joel Carlson, Eufrosyne Kastberg e outros. Grande parte desses hinos que veio a fazer parte da Harpa Cristã, hinário assembleiano, teve suas versões musicais feitas pelo pastor Paulo Leivas Macalão. Alguns desses hinários estrangeiros são: Best of all (e.g, o hino “Glória a Deus o Pai eterno”), Segertone (e.g., “Os teus pecados tu queres deixar”), Herrens Lov (e.g., “Oh, porque duvidar sobre as ondas do mar”) e Lovangst (e.g., “Jesus disse aos discípulos no monte ao subir”).
Muitos desses hinos expressavam uma temática que incluía a doutrina do revestimento de poder pelo batismo com o Espírito Santo, ressaltava necessidade de devoção e santificação na vida do crente, e falava da iminente segunda vinda de Cristo e a esperança do crente fiel se encontrar logo com o Senhor na vida eterna.

Hinários precursores da Harpa Cristã
Em 1917, o missionário sueco Gunnar Vingren, fundador das Assembleias de Deus juntamente com Daniel Berg, montou um caderno particular de hinos com letra e música. Tinha 24 hinos, 10 com letra em inglês e 14 com letra em sueco. Os líderes da Assembleia de Deus de Belém (PA), os missionários suecos, prepararam um hinário, cuja impressão ficou pronta em 6 de outubro de 1917, e tinha 194 hinos. Em 1921 foi lançado o Cantor Pentecostal, impresso pela tipografia Guajarina, sob a orientação editorial de Almeida Sobrinho e tinha 44 hinos e 10 corinhos. Foi distribuído pela AD de Belém, que, naquela época, achava-se localizada na Travessa 9 de Janeiro 75. 
Em 1931, Gunnar Vingren, então pastor da Assembleia de Deus de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, editou o Psalterio Pentecostal, impresso na Gráfica Fernandes & Rohe, no Rio de Janeiro. Tinha 221 hinos.
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O lançamento da Harpa Cristã

Em 1922, foi lançada em Recife (PE), a primeira edição da
 Harpa Cristã com 100 hinos, que viria a tornar-se hinário oficial das Assembleias de Deus. Sob a orientação editorial do pastor Adriano Nobre, teve uma tiragem inicial de mil exemplares, impressa nas oficinas do Jornal do Comércio e foi distribuída para todo o Brasil pelo missionário Samuel Nyström. Não consta nenhum exemplar desta edição histórica nos arquivos da CPAD, porém, seu prefácio é conhecido, pois foi reimpresso nas páginas iniciais da segunda edição.
 
A segunda edição da Harpa Cristã, já com 300 hinos, foi impressa nas Oficinas Irmãos Pongetti, no Rio de Janeiro, em 1923, numa tiragem de 3.000 exemplares, segundo o avivo publicado no jornal Boa Semente de dezembro de 1923, página 4.
A terceira edição, em 1932, tinha a Harpa Cristã 400 hinos e foram 5.000 exemplares, segundo informa Samuel Nyström no livro Despertamento apostólico no Brasil, p. 126. A quarta edição foi de 10.000 exemplares com 458 hinos e a quinta, com 512 hinos, foi de 8.000 exemplares. Da quarta edição foram publicados mais de 4.000 exemplares. O preço mais barato do hinário foi de 3 mil-réis.
Sucederam-se muitas outras edições e vindo a ser impressas nas oficinas da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Com o passar dos tempos, outros hinos foram sendo acrescentados até que o nosso hinário oficial em 1941 atingisse 524 hinos. Número esse que, durante várias décadas, caracterizou a Harpa Cristã.
Até 1981, quase todos os hinos da Harpa Cristã já haviam sido revisados. Os mais altos foram transpostos para tons mais acessíveis ao cântico congregacional. Na elaboração dos hinos, muito contribuiu o missionário Samuel Nyström. Como não tivesse perfeito conhecimento da língua portuguesa, ele traduziu, literalmente, diversas letras da riquíssima hinódia escandinava. Para que os poemas fossem adaptados às suas respectivas músicas, foi necessário que o pastor e músico Paulo Leivas Macalão empreendesse semelhante tarefa. Por isso, tornou-se o pastor Macalão no principal tradutor e adaptador da Harpa Cristã.


A Harpa Cristã com música

O primeiro caso de um hinário com música nas Assembleias de Deus ocorreu em 1929, em Belém do Pará, quando os pastores Samuel Nyström e Julião Silva publicaram naquela cidade uma edição da
 Harpa Cristã só com música. Nesta edição vinham apenas os títulos dos hinos, por não lhes ter sido possível imprimir letra e música, por causa dos poucos recursos técnicos de impressão na época. A gráfica impressora foi a do jornal Boa Semente, que precedeu o Mensageiro da Paz, a qual funcionava na Travessa 9 de Janeiro 75.

Em 1932 foi lançado no Rio de Janeiro o Livro de Música da Harpa Cristã, mimeografado, contendo a música de 400 hinos. Nessa época, a Harpa Cristã sem música estava na sua 4ª edição.

A primeira Harpa Cristã impressa com música e os tradicionais 524 hinos
Em 1937, a Convenção Geral das Assembleias de Deus, reunida em São Paulo, convocou uma comissão para editar e imprimir a Harpa Cristã com música por iniciativa do missionário sueco Nils Kastberg. Desta comissão faziam parte: Emílio Conde, Samuel Nyström, Paulo Leivas Macalão, Jahn Sörheim e Nils Kastberg. Neste empreendimento, também tomou parte ativa o Dr. Carlos Brito.


Enquanto a comissão instituída pela CGADB começava o seu trabalho em 1937, a 6ª edição do hinário se esgotou devido a muitos pedidos de todas as partes do país. A solução, segundo informou o missionário Nils Kastberg no prefácio, foi lançar a 7ª edição sem alteração, mantendo a quantidade de 512 hinos de edições anteriores, aguardando para mais tarde uma edição melhorada, impressa juntamente com a música. O trabalho de elaborar a primeira Harpa Cristã impressa com música notabilizou-se pela participação do pastor Paulo Leivas Macalão e pela nova quantidade de hinos que perdurou por mais de 50 anos.

Numa nota publicada no jornal Mensageiro da Paz de julho de 1939, p. 2, 1ª quinzena, pastor Paulo Macalão informou como foram os primeiros anos de trabalho: “tem sido demorado, por achar-me sozinho, na correção da letra e música dos hinos”. No entanto, se mostrou agradecido a Deus e ao povo assembleiano pela nobre missão confiada a ele: “É um serviço glorioso que Deus me proporcionou, mas que para concluí-lo, necessito das orações de todos os que amam a causa de Cristo, em virtude de ser grande a responsabilidade que me pesa: sinto-me, às vezes, bastante atarefado; creio, porém, que se todos os irmãos orarem neste sentido, Deus me ajudará, em breve, a terminar o nosso hinário, que servirá para atrair muitos pecadores aos pés de Cristo”.

Em novembro de 1939, aumentara a quantidade de pedidos de harpas, o Dr. Carlos Brito e o missionário Samuel Nyström, respectivamente, diretor-gerente e redator do
 Mensageiro da Paz, mandaram imprimir uma harpa sem música com os primeiros 300 hinos que já estavam prontos para a futura harpa com música. Esta edição antecipada foi classificada como “8ª Edição Reformada” da Harpa Cristã.
Finalmente, em janeiro de 1941, foi publicada a 1ª Edição com Música Impressa da Harpa Cristã, como propriedade da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). Era a primeira edição da Harpa Cristã com os tradicionais 524 hinos. Esta edição foi impressa quando a CPAD havia completado um ano de fundação e ainda funcionava nas dependências da Assembleia de Deus de São Cristóvão (Rio de Janeiro). Como a CPAD ainda não possui sua própria gráfica, a tiragem foi feita na gráfica da Imprensa Metodista.


Cópia do prefácio da Harpa Cristã, edição de 1941, assinado pelo pastor Paulo Leivas Macalão Cópia da introdução da Harpa Cristã, edição de 1941, assinada pelo missionário Samuel Nyström 


A revisão dos primeiros hinos foi feita pelo missionário e músico norueguês Jahn Sörheim. O jornalista e escritor Emílio Conde auxiliou na correção de alguns hinos. Professor Antonio F. Farias fez a harmonização de algumas músicas. Em seu prefácio, pastor Paulo Macalão agradeceu a Deus pelo auxílio nos anos de árduo trabalho com
 “lutas e angustias, quando, sozinho, tinha que resolver sobre a escolha, correção de hinos e a colocação das letras em suas respectivas músicas”.

A atual Harpa Cristã com 640 hinos
Em 1979, mediante proposta apresentada pelo pastor Adilson Soares da Fonseca, o Conselho Administrativo da CPAD, cumprindo resolução da Assembleia Geral da CGADB, reunida em Porto Alegre (RS), naquele ano, convocou uma comissão para proceder a uma revisão geral da música e da letra da Harpa Cristã.
A comissão era formada pelos seguintes pastores: Paulo Leivas Macalão, Túlio Barros Ferreira, Nicodemos José Loureiro, Antonio Gilberto, Manoel Luís Filho e Graciliano Gomes A. Filho. Nesta empreitada, também tomaram parte ativa o pastor e consagrado poeta Joanyr de Oliveira, e o pastor Alcebíades Pereira Vasconcelos. Em termos técnicos, os trabalhos contaram com dois obreiros especializados: João Pereira, na correção e adaptação da música; e Gustavo Kessler, na revisão das letras. Também a comissão recebeu apoio do pastor Nemuel Kessler, que, ao assumir a diretoria de publicações da CPAD em 1984, reativou os trabalhos parados havia cinco anos. 
Com esse trabalho da comissão surgiu a Harpa Cristã atualizada, lançada em 1992, contendo mais 628 hinos com uma nova seqüência numérica distribuída em seis grupos temáticos, incluindo os hinos pátrios. Mas, a maioria das igrejas optou por ficar com a harpa tradicional. De qualquer forma, a experiência serviu para rever a hinódia pentecostal, tornando- a mais viva e participativa nas reuniões das Assembleias de Deus. Diante dessa situação, a CPAD, na gestão de Ronaldo Rodrigues de Souza, julgou necessário manter os antigos 524 hinos na seqüência numérica tradicional, acrescentandose os 116 novos hinos da Harpa Cristã atualizada, incluindo os hinos pátrios. Surge, assim, em 1996, a atual Harpa Cristã ampliada com 640 hinos, seguindo a numeração do hinário original que tinha apenas 524 composições.
Na Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, em 1999, na cidade de São Paulo, a CPAD promoveu o lançamento da Harpa Cristã ampliada e o Manual da Harpa Cristã.

Membros do Conselho Administrativo, diretores e equipe da CPAD reunidos por ocasião do encerramento dos trabalhos de reforma da Harpa Cristã em 1992


Pastor Horácio da Silva Jr., então diretor executivo da CPAD, entregando um exemplar da Harpa Cristã, reformada em 1992, ao pastor José Wellington Bezerra da Costa, presidente da CGADB

O diretor-executivo da CPAD, Ronaldo Rodrigues de Souza, na Convenção Geral de 1999, apresentando para a liderança das Assembleias de Deus a atual Harpa Cristã ampliada

Exemplar do Manual da Harpa Cristã elaborado pelo pastor Claudionor de Andrade e publicado pela CPAD em 1999

fonte cpad sate 



                         PANORAMA HISTORICO

1. SALMOS E HINOS

Em seus primórdios, a Assembléia de Deus usava os Salmos e Hinos, que também era utilizado por diversas igrejas evangélicas históricas.

2. CANTOR PENTECOSTAL - 1921 - Belém, PA
Confeccionado sob a orientação editorial de Almeida Sobrinho, contava com 44 hinos e 10 corinhos, impresso pela tipografia Guajarina e   distribuído pela Assembléia de Deus de Belém do Pará.

3. HARPA CRISTÃ - 1922 - Recife, PE      (1a Edição)

Sob a orientação editorial do Pastor Adriano Nobre Tiragem: 1.000 exemplares distribuídos para todo o Brasil pelo missionário Samuel Nyström.
4. HARPA CRISTÃ - 1923 - Rio de Janeiro  (2a Edição) 
Contava com 300 Hinos e foi impressa nas Oficinas Irmãos Pangeti
5. HARPA CRISTÃ - 1932   
Com 400 Hinos.

6.                                            

 SAMUEL NYSTROM

Pastor missionário, um dos pioneiros da Assembléias de Deus.

- Em 1924, assumiu a liderança da AD em Belém.
- Em 1932, assume a direção da Igreja no Rio de Janeiro.
- Em 1938, reassume a AD em São Cristovão (RJ).
- De 1948 a 1949, foi presidente da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil.
- Segundo Pastor do Belém (SP).
- Presidente da Mesa diretora da Convenção da CGADB em 1933, 1934, 1936, 1938, 1939, 1941, 1943, 1946 e 1948.
- Lider das ADs no Brasil nas ausências do Missionário Gunnar Vingren no período de 1911 a 1930.
: Pessoal
- Nome completo: Erik Gustaf Samuel Nyströn.
- Natural: Estocolmo, Suécia
- Partiu para a pátria celestial em 1960 quando estava de volta à Suécia.
: Formação
- Pioneiro do Ensino Teológico no Brasil.
: Ministério
- Missionário Suéco enviado ao Brasil pela Igreja Filadélfia em Estocolmo, Suécia.
- Chegou ao Brasil em 1916 (foi o quarto missionário suéco em terras brasileiras)
- Em 1924 assumiu a direção da igreja em Belém do Pará quando o missionário Gunnar Vingren foi para o Rio de Janeiro.
- Em Abril de 1925, visita o Rio de Janeiro para constatar o andamento da obra na capital e no interior do estado. Aconselhou Vingren a alugar um salão mais amplo.
- Em 1930 foi para o Rio de Janeiro, deixando em seu lugar o missionário Nels Nelson.
- Em 14 de Agosto de 1932, substitui Vingren na direção da Igreja no Rio de Janeiro. Adquiriu um salão três vezes maior na rua Figueira de Melo, 232.
- Tornou a AD do Rio de Janeiro a igreja que mais crescia no país.
- Em 1933 presidiu a 2ª Convenção das ADs.
- Em 1934, precisou retornar à Suécia, deixando em seu lugar o pastor Nils Kastberg.
- Em 1938, retorna ao Brasil, reassume a AD em São Cristovão (RJ).
- Em 1943, ficou marcado como o ano da evangelização e do ensino bíblico.
- Em 24 de Junho de 1944, quando a AD do Rio de Janeiro completava 20 anos, realizou grande campanha evangelística mobilizando todos os membros para a distribuição de 400 mil folhetos e evangelhos por toda a cidade.
- Em 18 de Setembro de de 1945 passa a direção da AD carioca ao pastor Otto Nelson.
- Em 1946 viajou para os Estados Unidos, onde conseguiu contribuições para a instalação das oficinas da CPAD.
- Foi presidente da CGADB.
- Voltou para a Suécia.
- Faleceu em 1960.
: Autoria -
Em 1930 foi lançada no Rio de Janeiro a revista Lições Bíblicas para as Escolas Dominicais .Seu primeiro comentador e editor foi o missionário Samuel Nystrom.
- Autor do hino 13 da Harpa Cristã: "Jesus comprou-me".
- Autor do Livros:
"Jesus Cristo Nossa Glória" - CPAD
"Esboços de Sermões de Samuel Nyström" - CPAD
: Realização -
Em 30 de outubro de 1926, inaugurou o primeiro templo da AD em Belém com a presença de 1200 pessoas.
- Dirigiu os estudos da primeira Escoal Bíblica de Obreiros em Belem.
- Em 1927, deu início ao movimento beneficente em favor das viúvas de pastores.
- De 9 a 16 de Abril de 1933, realizou no Rio de Janeiro, em São Cristovão a 2ª Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil sob a sua presidência.
- Em 24 de Junho de 1944, mobilizou todos os membros da Igreja para grande campanha evangelística.
: Observação

- Pastor missionário, um dos pioneiros da Assembléias de Deus.



  PAULO LEIVAS MACALÃO



Na elaboração de nossos hinos, muito contribuiu o missionário Samuel Nyström. Como não tivesse perfeito conhecimento da língua portuguesa, ele traduziu, literalmente, diversas letras da riquíssima hinódia escandinava. Para que os poemas fossem adaptados às suas respectivas músicas, foi necessário que o Pastor Paulo Leivas Macalão empreendesse semelhante tarefa. Por isso, tornou-se o Pastor Macalão no principal elaborador e adaptador de nosso hinário oficial.

7. HARPA COM MÚSICA

Em 1937, a  Convenção Geral das Assembléias de Deus, reunida em São Paulo, nomeou uma comissão para editar e imprimir a primeira Harpa Cristã com música.

Desta comissão faziam parte:
   Emílio Conde, Samuel Nyström,
   Paulo Leivas Macalão,
   João Sorhein e
   Nils Kastberg.

Neste empreendimento, também tomou parte ativa o Dr. Carlos Brito.

8. A HARPA CRISTÃ COM 524 HINOS
Com o passar do tempo, outros hinos foram sendo acrescentados até que o nosso hinário oficial atingisse 524 hinos. Número esse que, durante várias décadas, caracterizou a Harpa Cristã.

Até 1981, quase todos os hinos da Harpa Cristã já haviam sido revisados. Os mais altos foram transpostos para tons mais acessíveis ao cântico congregacional.

9. A HARPA CRISTÃ ATUALIZADA

Em 1979, mediante proposta apresentada pelo Pastor Adilson Soares da Fonseca, o Conselho Administrativo da CPAD, cumprindo resolução da Assembléia Geral da CGADB reunida em Porto Alegre, naquele ano, nomeou uma comissão para proceder a uma revisão geral da música e da letra da Harpa Cristã.

Em 1979, mediante proposta apresentada pelo Pastor Adilson Soares da Fonseca, o Conselho Administrativo da Casa Publicadora das Assembleias de Deus - CPAD, cumprindo resolução da Assembléia Geral da CGADB reunida em Porto Alegre, naquele ano, nomeou uma comissão para proceder a uma revisão geral da música e da letra da Harpa Cristã. A comissão era formada pelos seguintes Pastores: Paulo Leivas Macalão, Túlio Barros Ferreira, Nicodemos José Loureiro, Antonio Gilberto, e João Pereira. Nesta empreitada, também tomou parte ativa o Pastor e consagrado poeta Joanyr de Oliveira. Em termos técnicos, os trabalhos contaram com dois obreiros especializados: João Pereira, na correção e adaptação da música; e Gustavo Kessler, na revisão das letras. Lançada em 1992, a Harpa Cristã Atualizada foi aceita em muitas igrejas, mas a maioria optou por ficar com a Harpa Tradicional.

A comissão era formada pelos seguintes Pastores:
   Paulo Leivas Macalão,
   Túlio Barros Ferreira,
   Nicodemos José Loureiro,
   Antonio Gilberto, e
   João Pereira.

Nesta empreitada, também tomou parte ativa o Pastor e consagrado poeta Joanyr de Oliveira. Em termos técnicos, os trabalhos contaram com dois obreiros especializados:

João Pereira, na correção e adaptação da música; e
Gustavo Kessler, na revisão das letras.

Lançada em 1992, a Harpa Cristã Atualizada foi aceita em muitas igrejas, mas a maioria optou por ficar com a Harpa Tradicional . De qualquer forma, a experiência serviu para rever a hinódia pentecostal, tonando-a mais viva e participativa em nossas reuniões.

10. A HARPA CRISTÃ AMPLIADA

Tendo em vista as necessidades de nossa igreja, a CPAD, sob a direção executiva de Ronaldo Rodrigues de Souza, compreendeu ser urgente a ampliação da Harpa Cristã tradicional. E, assim, foram acrescentados mais 116 hinos a fim de atender a todas as exigências cerimoniais e litúrgicas da igreja.

A Harpa Cristã  Ampliada , lançada em 1999, representa mais um avanço da já riquíssima hinódia pentecostal.


Fonte: CPAD



Mesmo após seus 90 anos recém completados, a Harpa Cristã (HC) continua sendo referência de louvor entre os evangélicos do Brasil. Mas você sabe quem eram os autores e em que circunstâncias criaram hinos tão inspirados?

No primeiro livro da série “A história dos hinos que amamos”, escrito pelo pastor e jornalista Silas Daniel, recém-lançado pela CPAD, você conhecerá a história por trás de 117 grandes clássicos da hinologia cristã mundial e a vida de fé e provação de seus autores, bem como as circunstâncias vivenciadas por eles e que os inspiraram a compor estas obras imortais. Dentre esses hinos, estão 103 que constam também na Harpa Cristã, o hinário mais popular do país, e que são homenageados neste primeiro volume.

O livro, lançada durante as comemorações dos 90 anos da Harpa, traz a história de hinos como "Sou Feliz", "Deus velará por ti", "Grandioso és Tu", Firme nas promessas", "Graças dou", "Rude Cruz", "Mais perto quero estar", "Porque Ele vive", "Vencendo vem Jesus", "Tu és fiel, Senhor!", "Tal como sou", "Amor que por amor desceste", "Face a face espero vê-Lo", , "Maravilhosa graça", "Manso e suave", "Sossegai", "Quão bondoso amigo é Cristo", "O Bom Consolador", "Um pendão real", "Castelo Forte", "Leva tu contigo o Nome", "Conta as bênçãos" e "Canta, minha alma!".

Segundo o autor, “depois de ler este livro, você cantará esses hinos que tanto ama com mais fervor e percepção espiritual, porque terá em mente a história de cada um deles e de seus respectivos autores. Por meio desses relatos enriquecedores, aqueles que militam na área da música dentro das igrejas também serão estimulados a buscarem fervorosamente a Deus, como muitos dos compositores destes belos hinos o fizeram no passado, para que o Senhor continue inspirando novas e imortais canções para a Sua glória. O Deus de Lutero, Isaac Watts, Charles Wesley, P. P. Bliss, George Matheson, George Bennard, Daniel Webster Whittle, Ira David Sankey, Elisha Albright Hoffman, Leila Naylor Morris, Fanny Crosby, Johnson Oatman Junior, Charles H. Gabriel, Eliza E. Hewitt e outros ilustres compositores do passado é o mesmo hoje e eternamente. Basta voltarmos para a fonte transbordante, mais profunda que o mar”, afirma pastor Silas.

O escritor traz uma pitada das experiências dos compositores para diminuir um pouco sua curiosidade. “Algumas das muitas histórias que me tocaram há anos, e que pus no livro, são as dos hinos ´Sou Feliz`, que nasceu como resposta de Deus para consolar o coração de um pai depois de uma tragédia que ceifou a vida de suas três filhas pequenas; ´Deus velará por ti`, que surgiu como fruto de uma experiência de cuidado de Deus para com uma família de um pastor batista que era pregador itinerante; ´Castelo Forte`, que nasceu durante os preparativos para a tensa Dieta de Worms, para a qual Lutero foi sem ter muita esperança de voltar de lá vivo, mas Deus, como sabemos, o preservou; ´Firme nas promessas`, que nasceu de uma experiência de cura divina; e ´Ele me abriu a porta`, que foi escrito por um pastor que perdeu tudo, mas foi restaurado pela graça de Deus. Na verdade, são tantas histórias lindas! Só citei estas como exemplo. São 350 páginas e 59 capítulos que, com certeza, vão edificar a sua vida”, garante o autor. 

FONTE / CPADNews

-www.harpacrista.com.br/

HINOS DE MARTINHO LUTERO (REFLEXÃO PARTE 2)

  
Deus é castelo forte e bom
Hino 97
  Comunidade Suíça - Santa Leopoldina - Espírito Santo
1 – Deus é castelo forte e bom, defesa e armamento.
Assiste-nos com sua mão, na dor e no tormento.
O rei infernal das trevas do mal, com todo o poder e astúcia quer vencer: Igual não há na terra.

2 – A minha força nada faz, sozinho estou perdido.
Um homem a vitória traz, por Deus foi escolhido.
Quem trouxe esta luz?
Foi Cristo Jesus, o eterno Senhor, outro não tem vigor; triunfará na luta.

3 – Se inúmeros demônios vêm, querendo exterminar-nos:
Sem medo estamos, pois não têm poder de superar-nos.
Pois o rei do mal, de força infernal, não dominará;
Já condenado está por uma só palavra.

4 – O Verbo eterno vencerá as hostes da maldade.
As armas o Senhor nos dá: Espírito, Verdade.
Se a morte eu sofrer, se os bens eu perder: que tudo se vá!
Jesus conosco está. Seu Reino é nossa herança!
Deus é castelo forte e bom

Comentário e reflexão
HPD nº 97 - Deus é Castelo forte e bom
O mais conhecido dos corais de Martim Lutero é Ein Feste Burg ist unser Gott (Um Castelo Forte é o Nosso Deus), cuja melodia procede do Canto Gregoriano; o texto é uma paráfrase do Salmo 46, cujo tema é a confiança em Deus: Deus é nosso refúgio e fortaleza...
Podemos imaginar Lutero contemplando os muros do castelo de Wartburg nos dias que antecederam seu julgamento em Worms (1521). Sua confiança estava em Deus. Ele sabia que Satanás era o seu grande Inimigo; seu defensor era Jesus. Os adversários procuravam prendê-lo e matá-lo; a Palavra de Deus tinha poder para salvá-lo. Nada – ódio, ofensa, morte – poderia atingi-lo, porque o Reino de Deus é eterno! Lutero cria que o hino tinha poder para transmitir substância teológica.
Quanto à data de elaboração do hino, existem algumas hipóteses:
1. numa noite de abril de 15211, preparando-se para obedecer à intimação pelo imperador Carlos V de comparecer perante o parlamento em Worms, onde defendeu suas obras teológicas; tendo saído de Wartburg e passado a noite com os Agostinianos na fortaleza Marienberg, em Wurzburg, próxima do rio Meno; o papa Leão X tinha inscrito o nome de Lutero na lista dos hereges, banindo-o da Igreja Católica;
2. algum tempo depois de 1521, lembrando-se do julgamento em Worms;
3. em 1527, quando sofreu sua primeira crise renal;
4. em outubro de 1527, por ocasião do décimo aniversário da afixação das Noventa e Cinco Teses na porta da capela do castelo em Wittenberg;
5. em 1527, quando soube da execução de crentes reformados em Bruxelas;
6. em 1529, por ocasião da invasão turca do Ocidente.
Lutero imprimiu o hino em folhas de papel, sem a melodia, que rapidamente se espalharam pela Alemanha; em 1529, o hino foi incluído na coletânea Geistlich Lieder (Cânticos Espirituais), publicada por Joseph Klug.
Em 19 de abril de 1529, as autoridades alemãs que adotavam as idéias de Lutero apresentaram, ao parlamento reunido em Espira, um protesto (daí o apelido Protestantes) contra as medidas legislativas referentes à liberdade de culto, que significavam séria ameaça à Reforma. Neste ambiente crítico, deprimidos, mas inspirados pelo Salmo 46, os crentes cantaram o hino de Lutero.
O mais antigo hinário existente, em que este hino aparece, é o de Andrew Rauscher (1531), mas é provável que ele figurasse já no hinário de Wittenberg, de Joseph Klug, de 1529, do qual não existe cópia. Seu título era “Der XXXXVI. Psalm”. Deus noster refugium et virtus. Antes disso é provável que tenha figurado no Hinário de Wittenberg, de Hans Weiss de 1528, também extraviado. Esta evidência reforça a idéia de que fora escrito entre 1527 e 1529, já que os hinos de Lutero eram impressos imediatamente após serem escritos.
Quem muito colaborou para difundir este hino de Lutero na Alemanha, foi o sapateiro e poeta de Nurenbergue Hans Sachs (1494-1576). Ele mandou imprimir folhetos volantes que podiam ser vendidos bem barratos. Neles estava representada (1) a xilogravura de Albrecht Dürer (1471-1528) entitulada “Ritter, Tod und Teufel” (Cavaleiro, Morte e Diabo) feita em 1513, (2) o texto do hino “Deus é castelo forte e bom...” e (3) a seguinte observação: >>Cada cristão corajoso, usando a “armadura de Deus” (Efésios 6,11), tranquilo e seguro como este cavalheiro, consegue atravessar o deserto espinhento e arrepiante desta vida, cheia de lama e imundície, e não precisa temer nem morte, nem o diabo, mas, dirigindo seu olhar para a cidade de Deus em cima do monte da salvação, pode vencer e desprezar morte e diabo, como este velho cavalheiro o faz, e pode cantar ainda alegremente: “Se inúmeros demônios vêm, querendo exterminar-nos: Sem medo estamos, pois não tem poder de superar-nos.”
Heinrich Heine referiu-se a esse hino como a Marselhesa da Reforma Protestante. Johann Sebastian Bach utilizou sua melodia como tema da Cantata BWV 80. Felix Mendelssohn-Bartholdy empregou-a no último movimento da sua 5ª sinfonia (Sinfonia da Reforma). Na ópera Os Huguenotes de Giacomo Meyerbeer, é utilizada diversas vezes como Leitmotiv. É também citada na ópera Friedenstag, de Richard Strauss.

No desenho animado Os Simpsons, a campainha da porta de Ned Flanders, o alegre devoto religioso, vizinho de porta, às vezes toca Castelo Forte é nosso Deus.
FONTE luteranos.com


Clemência dá-nos, ó Senhor
Hino 106
1. Clemência dá-nos, ó Senhor,
e graça sempiterna;
de tua face o resplendor
nos mostre a vida eterna,
que assim possamos conhecer
tua obra poderosa;
aos que não crêem luz trazer
bendita, fulgurosa.
Que em ti, Senhor, creiamos!
2.Assim te rendem gratidão
os homens, jubilando.
Em alegria exaltarão
o teu poder, cantando.
Na terra és tu juiz, Senhor!
Libertas do pecado!
Teu santo verbo, ó Salvador,
por graça nos foi dado.
Que os passos teus sigamos!
3. A ti exalte com fervor
toda a humanidade,
enaltecendo teu amor
e paternal bondade!
O Pai nos queira abençoar,
no amor de Cristo nos confortar!
Ao trino Deus graça e louvor –
por toda a eternidade!
Clemência dá-nos, ó Senhor
Comentário e Reflexão
HPD 106 – Clemência dá-nos, ó Senhor
Letra: Martin Luther (1524)
Melodia: do século 15, Ludwig Senfl (1522), Matthäus Greiter (1524)
Textos bíblicos: Salmo 67
No ano de 1523 Martin Luther publicou (em latim) uma ordem litúrgica para os cultos evangélicos em Wittenberg, com o título “Formula missae et communionis pro ecclesia Vuittembergensi “. Ali ele recomenda o Salmo 67 como uma das diferentes formas de bênção para o final do culto. Expressamente ele cita o último versículo deste Salmo: “Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão”. Ainda no fim deste mesmo ano de 1523 o amigo Paul Speratus traduziu esta ordem para a língua alemã, dando-lhe o título “Eine Weise christliche Mess zu halten” (Um modo de celebrar culto cristão). E para encerrar o trabalho ele colocou as três estrofes do recém-criado hino de M. Luther: “Es wolle Gott uns gnädig sein” (Clemência dá-nos, ó Senhor). No mês de janeiro de 1524 a obra foi editada em Wittenberg.
A melodia teve origem no século 15. Provavelmente o músico Ludwig Senfl a sugeriu ao Reformador. E Matthäus Greiter a adaptou ao texto do novo hino de Luther.
Nos primeiros hinários, que publicaram este hino (1524/25), encontra-se o título sugerido pelo próprio Luther: “Deus miseratur nostri” (Seja Deus gracioso para conosco, Salmo 67.1). - A expressão “de tua face resplendor” da primeira estrofe assemelha-se com a Bênção de Aarão (Numeros 6.24-26): “O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti...” Provavelmente foi este fato que motivou Martin Luther a sugerir o Salmo 67 ou o hino “Clemência dá-nos, ó Senhor” como hino final do culto. - Um título mais extenso apareceu em 1544 no Hinário de Estrasburgo: “Um Salmo de intercessão pela divulgação do santo evangelho entre todos os povos, incluindo o prêmio maravilhoso de frutos e benefício do mesmo”. – No século 18 o poeta alemão Friedrich Gottlieb Klopstock1  adaptou muitos corais dos hinários evangélicos ao gosto da época do Classicismo. Fez, inclusive, mudanças no texto do hino “Clemência dá-nos, ó Senhor”. E colocou este coral na seção de “Missão”. - Em nosso hinário HPD foi incluído entre os hinos de “A Igreja e o Povo de Deus”.
Hoje em dia este hino é quase desconhecido. É muito raro achar alguém que o cante. Porém, o Salmo 67 como bênção final ainda é usado com nova roupagem feita por Jairo Trench Gonçalves (HPD volume 2, nº 376) com versificação de Paulo Cesar da Silva: “Seja Deus gracioso e nos abençoe...”
Uma Crônica do ano de 1524 conta como os moradores da cidade de Magdeburgo se tornaram evangélicos através de hinos de Martin Luther:
Entre Páscoa e Pentecoste de 1524 um pobre pedinte apareceu na praça central. Ali ofereceu alguns hinos luteranos, entre eles “Clemência dá-nos, ó Senhor”, e às vezes os cantou em público por onde ele passava. Desta maneira homens e mulheres, moças e rapazes aprenderam hinos em língua alemã, e os divulgaram de modo que o povo comum chegou a cantá-los diariamente em todas as igrejas, enquanto esperava o início da prédica. Mas alguns conselheiros do antigo centro da cidade queriam mostrar sua autoridade e mandaram prender dito pedinte. Ele foi encarcerado no recém-construído porão da Câmara Municipal. Isto foi no dia de São João ante portam Latinam (= 06 de maio de 1524).

Aconteceu que houve festa na Paróquia de São João, onde algumas centenas de pessoas se reuniram. Elas pagaram cada qual o valor de um Marco do próprio bolso e deram um jeito de libertar o preso. Em seu lugar encarceraram um dos Guardas Municipais, chamado de João Kuster. E após três semanas, a pedido da comunidade, ele foi expulso da cidade. Guilherme, o outro Guarda, conseguiu fugir.

Cristãos, alegres jubilai
Hino 155
1. Cristãos, alegres jubilai, felizes exultando;
com fé e com fervor cantai, a Deus glorificando.
O que por nós fez o Senhor, por seu divino excelso amor,
custou-lhe a própria vida.
2. Fui prisioneiro de Satã, a noite me envolvia.
A minha vida, triste e vã, nas trevas se esvaía.
Abismo horrível me tragou, o mal de mim se apoderou;
perdi-me no pecado.
3. As obras nunca poderão livrar-me do pecado.
O livre arbítrio tenta em vão guiar o condenado.
Horrível medo me assaltou, ao desespero me levou,
lançando-me ao inferno.
4. O eterno Deus se apiedou de mim, o infortunado.
De sua graça se lembrou, voltou-se ao condenado.
O seu paterno coração deu, para minha salvação,
o que há de mais precioso.
5. Ao Filho disse o Pai no céu: O tempo está chegado;
à terra desce, ó Filho meu, e salva o condenado!
Liberta-o de pecado e dor, morrendo, sê-lhe o Redentor:
Que tenha nova vida!
6. Obedeceu de coração o Filho ao Pai amado.
Tornou-se em tudo meu irmão, e, pobre e desprezado,
ele ocultou o seu poder e um simples homem veio a ser:
Lutou por minha causa.
7. E disse em sua compaixão: A minha mão segura.
Alcançarás a salvação, eu venço a luta dura.
Pois eu sou teu e tu és meu; onde eu estou terás o céu.
Nada há de separar-nos.
8. Derramarei o sangue meu, serei à cruz pregado,
somente em benefício teu; aceita-o, confiado!
Em inocência hei de sofrer, que possas vida eterna obter
e bem-aventurança.
9. Ao Pai no céu eu voltarei, porém, não te abandono:
O Espírito te enviarei do meu celeste trono.
Em todo o sofrimento e dor ampara-te o Consolador,
guiando-te à verdade.
10. Tudo o que fiz te ensinei também o faze e ensina!
Farei crescer a minha grei por minha luz divina.
A luz dos homens é falaz, enganadora é sua paz.
Confia em mim somente!

Cristãos, alegres jubilai
Comentário e Reflexão
HPD 155 - Cristãos, alegres jubilai é o hino mais extenso em nosso hinário, contando com 10 estrofes; é um dos hinos da autoria do Reformador Martin Luther. Ele compôs o texto no ano de 1523, e no mesmo ano já foi publicado por meio de folhetos avulsos. O título original foi: “Ein Danklied für die höchsten Wohltaten, so uns Gott in Christo erzeigt hat” (Um hino de agradecimento pelos maiores benefícios que Deus em Cristo nos mostrou). Mais tarde usaram-se ainda outros títulos que, com poucas palavras, resumem o conteúdo do hino, como p.ex. em 1531: “Um cântico que abrange a vida cristã inteira”, e em 1535: “Um ótimo canto espiritual, como o pecador pode receber a graça”.
Como modelo para a melodia Martin Luter usou uma canção popular da época. Pois numa pequena edição dum cancioneiro de 1524 lê-se antes deste hino a informação: >Segue um bonito cântico evangélico que se canta conforme a melodia de “Alegrai-vos, mulheres e homens, pois Cristo ressuscitou” a qual se costuma cantar na festa da Páscoa.< Provavelmente esta canção deu a Luther o impulso para a 1ª estrofe.
Conteúdo:
A 1ª estrofe é um apelo. Somos chamados para jubilar alegres, exultar, cantar e glorificar a Deus. (Conhece outros hinos nos quais aparecem estes verbos? P.ex. HPD 7; 14; 30; 60; 247; 253; 260...). Na continuação da 1ª estrofe aprendemos o porque de tanta alegria e o preço que Deus pagou por nós. 
Nas estrofes 2, 3 e 4 Luther fala de sua própria experiência feita antes de 1517: a sua vida triste vã sob o peso do pecado (2ª); a tentativa de salvar-se por meio de obras boas (3ª); e finalmente a certeza da salvação por graça (4ª). Veja o que o apóstolo Paulo diz em Tito 3.3-7. - Agora já conhecemos o motivo da alegria dos cristãos. 
A 5ª estrofe explica o que passou pelo coração de Deus, na forma interessante de um diálogo entre Deus Pai e Deus Filho. E a 6ª estrofe ressalta a obediência de Jesus (Filipenses 2.5-11). O texto original alemão fala aqui da Virgem, lembrando o Natal. E em lugar de “Lutou por minha causa” o original diz que Jesus veio para caçar o diabo. 
Nas quatro últimas estrofes é o próprio Jesus quem fala. E não fala mais só ao aflito Martin Luther, e, sim, a qualquer um de nós. Imagino-o estendendo a mão (7ª), pedindo: A minha mão segura... (veja HPD 216) e declarando: eu sou teu e tu és meu (veja HPD 222,3ª e 4ª de Paul Gerhardt).
Na 8ª estrofe fala mais uma vez do alto preço que ele pagou para nossa salvação: derramou seu sangue e sofreu na cruz – lembramos Semana e Sexta-feira-Santa. A 9ª estrofe se refere à Ascensão de Jesus, quando volta ao Pai e promete não nos abandonar, pois envia o Espírito Santo, o Consolador, que nos ampara e guia.
A 10ª estrofe baseia-se nos últimos versículos do evangelho Mateus: “Ide, fazei discípulos de todas as nações... e eis que estou convosco todos os dias.” (Mat. 28.19 e 20) e o 1º capítulo dos Atos dos Apóstolos: “Sereis minhas testemunhas... até aos confins da terra.” (Atos 1.8). Como discípulos temos a missão de fazer e ensinar o que Jesus havia feito e ensinado. E´ uma maneira de agradecer ao Senhor pelo seu grande sacrifício, além de jubilar e cantar.
Observação
Hoje em dia é difícil achar alguém que tenha fôlego para cantar 10 estrofes em seguida. Porém, já que cada uma das estrofes tem sua importância, convém que todas sejam cantadas. Pode-se cantar as estrofes impares e ler as pares alternadamente. Ou, onde um coro está presente, este pode alternar com os demais membros da comunidade. Ou divide-se os membros presentes em dois grupos: homens e senhoras, jovens e adultos, lados da esquerda e da direita, etc. Sendo a primeira e a última estrofes cantados por todos.
HPD 155,10 “A luz dos homens é falaz, enganadora é sua paz”

No ano de 1557 os líderes e nobres alemães se reuniram em Frankfurt sobre o Meno, por ordem do Imperador. No dia de São João os evangélicos reuniram-se na Igreja de São Bartolomeu . Ali um pastor evangélico deveria transmitir-lhes a Palavra de Deus. Mas ficaram muito admirados quando de repente um sacerdote católico romano foi ocupar o púlpito. Cantaram o hino antes da prédica. E quando o sacerdote queria iniciar sua mensagem os príncipes evangélicos começaram a cantar um hino da autoria de Martin Luther: “Ó Santo Espírito do Senhor, dá-nos fé e verdadeiro amor” (HPD 82), e o povo reunido os acompanhava. O sacerdote aguardou com paciência. Depois começou a ler o Evangelho do Dia. Os visitantes o escutaram em silêncio e com respeito. Em seguida, quando o sacerdote ia começar seu sermão, os príncipes iniciaram um outro cântico. Agora foi o hino luterano “Cristãos, alegres jubilai, felizes exultando...”. Cantam todas as dez estrofes. O sacerdote, ao escutar a terceira estrofe “As obras nunca poderão livrar-me do pecado...”, desce irado do púlpito. Ele se confronta com um dos mais importantes príncipes e grita: ‘Me obrigam a abandonar o púlpito; no juízo final terão que prestar contas por isso.’ – O príncipe respondeu: ‘Sem licença vossa senhoria ocupou o nosso púlpito. A respeito do juízo final eu penso que nem estaremos tão próximos um ao outro!’ – O sacerdote irritado, jogou no chão a ampulheta que estava na sua mão, e cheio de raiva saiu da igreja. Depois o culto evangélico podia ser celebrado sem perturbação.
fonte luteranos.com


03/10/1538
Deus Pai, no Reino celestial
Hino 185 - Pai nosso interpretado e musicado
1. Deus Pai, no Reino celestial,
a todos mandas por igual,
sermos irmãos e te invocar:
A ti queremos nós orar.
Não fale só a boca em vão;
dá que ore o nosso coração!
2. Santificado o nome teu
seja entre nós, como é no céu.
No Verbo teu nos faze crer
e nele em retidão viver.
Doutrina falsa, ó Deus, detém,
os desviados guia ao bem!
3. Teu Reino venha a nós, Senhor.
O Espírito Consolador
assista sempre a todos nós.
Derrota o inimigo atroz!
Fiéis nos faze em ti viver,
vem tua igreja proteger!
4. Tua vontade paternal
no céu, na terra, por igual,
se faça em alegria ou dor,
que obedeçamos em amor.
Senhor, tu queiras impedir
os que a procuram transgredir.
5. Dá-nos o cotidiano pão
e o que nos é de precisão.
Pedimos-te também, Senhor,
que afastes ódio e desamor
e nos concedas, se te apraz,
união, concórdia, graça e paz.
6. Perdoa as dívidas, Senhor;
perdoa ofensas e rancor!
Queremos ao faltoso irmão
também perdoar de coração!
Dispõe-nos todos a servir;
concórdia e amor nos queira unir.
7. E não nos deixes incidir
em tentação; que resistir
possamos sempre à provação,
por teu poder e proteção.
Libera-nos, Senhor, do mal,
e ampara-nos na dor final.
8. Amém, isto é, que seja assim!
Que nossa fé não tenha fim!
e não nos deixes duvidar
do que acabamos de rogar.
Assim, com fé, Deus e Senhor,
Amém dizemos com fervor.
Deus Pai, no reino celestial
Comentário e Reflexão
HPD 185 – Deus Pai, no reino celestial
Letra: Martin Luther (1539)
Melodia: Martin Luther (1539), baseado numa melodia do séc.14.
Texto bíblico: Mateus 6.9-13
“Deus Pai, no Reino celestial” (HPD 185) (Vater unser im Himmelreich) é mais um dos hinos da autoria de Martin Luther. O Reformador se ocupou com a Oração Dominical já desde 1517, quando proferiu as prédicas sobre o Pai Nosso. No ano de 1519 publicou três artigos diferentes sobre o mesmo tema: “Breve Noção”, “Breve forma de compreender e orar o Paternoster”, e “Breve interpretação do Pai Nosso”. E em 1520 seguiu ainda a “Breve forma para entender o Paternoster”. A melhor explicação do Pai Nosso, porém, encontramos em o Catecismo Menor e o Catecismo Maior, ambos escritos por Luther no ano de 1529. No entanto, o hino sobre este tema apareceu somente 10 anos mais tarde.
Um grande número de hinos de Martin Luther nasceu na década de 1520/29. A primeira publicação do “Vater unser im Himmelreich” foi feita por Valentin Schumann no hinário “Geistliche Lieder” em Leipzig, no ano de 1539, sob o título “Das Vaterunser kurz und gut ausgelegt und in Gesangbuchweise gebracht” (O Pai-nosso explicado de modo breve e bom e feito para ser cantado). No mesmo ano também circularam folhetos avulsos com este hino.
A melodia foi emprestada duma canção de um poeta e compositor que geralmente é chamado de Monge de Salzburgo1. Ele vivia no final do século 14, na época do arcebispo Pilgrim II (+1396). Ele compôs canções religiosas e profanas. Entre os mais do que 100 manuscritos conservados encontra-se um “Tischsegen” (Oração antes da refeição). A melodia desta foi usada em 1531 no hinário dos Irmãos Moravianos: “Ein New Geseng buchlen. Mdxxxi”, publicado por Michael Weisse. Martin Luther adaptou esta melodia2  para seu hino sobre a oração do Pai Nosso.
A mesma melodia, mais tarde, foi aproveitada para os hinos HPD 151 “Não quero, diz-nos o Senhor...” e HPD 294 “Nas chagas de meu Salvador...” . Vários compositores, entre eles Johann Sebastian Bach BWV 636, 683, 762) e Dietrich Buxtehude (BuxWV 219), elaboraram obras musicais baseadas nesta melodia.

O conteúdo do hino HPD 185, como já sugeriu o antigo título, é uma breve explicação da Oração Dominical. A 1ª estrofe traz a introdução: invocamos o nome de Deus e meditamos sobre o tema “oração”. Depois, cada uma das estrofes seguintes se refere aos respectivos 7 pedidos que se encontram explicados no Catecismo Menor (sendo que na tradução do nosso hinário a 7ª estrofe une as 7ª e 8ª estrofes do original alemão). E na última estrofe temos uma reflexão sobre o termo “Amém”.
fonte luteranos.com
www.historiadamusicasacra.blogspot.com


30/08/1529
A paz nos queiras conceder
Comentário e Reflexão
HPD 291 – A paz nos queiras conceder
Letra e melodia: Martin Luther (1529)
Tradução: supostamente Prof. Siegfried Dietschi
Textos bíblicos: Isaías 32.17+18; Filipenses 4.7
A oração e a melodia de “A paz nos queiras conceder” (no original: Verleih uns Frieden, gnädiglich), foram baseadas na antífona latina do século 9: “Da pacem Domine in diebus nostris, quia non est alius, qui pugnet pro nobis nisi tu, deus noster.” A nova versão de Martin Luther em língua alemã foi publicada no hinário de Kluge em 1529. Provavelmente foi feita pelo Reformador neste mesmo ano. Pois o hinário de Erfurt, do ano de 1527, ainda não continha estes versos de Luther, mas apresentou somente uma tradução da antífona latina para o alemão em forma de prosa.
No ano de 1529 Luther teve dois importantes motivos para orar por paz: um era a situação política/religiosa interna no país, e o outro a situação da Europa com a invasão dos turcos.
 O Imperador Carlos V havia convidado todos os Príncipes Eleitores e Líderes de cidades livres para uma Dieta a ser realizada na cidade de Speyer. Ele havia vencido uma guerra contra Francisco I da França. Agora pretendia resolver assuntos internos ligados à reforma religiosa. No entanto, ele pessoalmente não participou. Ele permaneceu na Espanha e encarregou o seu irmão Fernando para dirigir a Dieta. - Era costume iniciar a Dieta com uma declaração do Imperador. Na ausência do mesmo seria apresentado uma leitura da declaração imperial. Todos aguardavam com vivo interesse e com certo temor a carta do Soberano. Porém, ela não chegou em tempo. Fernando, então rei da Áustria, aproveitou a lacuna e elaborou uma declaração conforme suas próprias ideias, e apresentou-a como se fosse escrita pelo Imperador. Os ouvintes admiravam-se sobre o tom rude e rancoroso do documento. Pois na Dieta em Speyer no ano de 1526 foi resolvido que em assuntos de religião todas as autoridades devem agir do modo como conseguissem responder perante o rei e Deus. Isso deu aos evangélicos certa liberdade de seguir a confissão luterana. Porém, agora rei Fernando queria fazer valer novamente o decreto de Worms do ano 1521, o qual, entre outros, havia declarado que Luther era herege. A minoria evangélica protestou1  contra este intento. No dia 19 de abril de 1529 seis Príncipes Eleitores e 14 Cidades Livres votaram contra a proscrição de Martin Luther e a condenação de seus livros, e a favor da difusão da doutrina evangélica.
Na mesma época um mui grande exército de turcos, liderado pelo Sultão Suliman II, dirigiu-se contra a cidade de Viena, ameaçando invadir a Europa. Em abril de 1529 imprimiu-se o livro de Luther, intitulado “Da guerra contra os turcos”. Ali ele não cita o Imperador Carlos como comandante na luta contra os turcos, mas, sim, o “Senhor Cristianus”. Senhor Cristianus para Luther era o pequeno número de verdadeiros cristãos que vencem o Alá dos turcos com penitência, oração e confiança em Deus.
Cercado por tantas ameaças Martin Luther pessoalmente procurou força na oração. Lembrou-se da antiga Antífona latina “Da pacem domine” e transformou-a numa oração em língua alemã, a fim de que outros cristãos pudessem ajudar a orar.
Grande número de compositores, entre eles Heinrich Schütz (1585-1672), Johann Hermann Schein (1586-1630), Andreas Hammerschmidt (1610-1675), Johann Sebastian Bach BWV 126 (1685-1750), Felix Mendelssohn Bartholdy (1809-1847), Hugo Distler (1908-1942), Alfred Koerppen (*1926) tomaram esta oração como base para composições musicais.

Hoje em dia, em nossas igrejas, raramente se canta esta oração, talvez porque a antiga melodia não seja mais tão atraente. Mas não deixamos de orar pela paz. No segundo volume dos “Hinos do Povo de Deus” temos outras sugestões: HPD nº 368 “Paz, paz de Cristo” e HPD nº 377 “A paz do Senhor”.